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História

Uma viagem no tempo...


A Carta Régia de 13 de maio de 1808, enviada pelo príncipe Dom João VI ao Governador e Capitão Geral da Capitania de Minas Gerais, Pedro Maria Xavier de Ataíde e Mello estabelecia a importância estratégica do Leste de Minas para a Coroa Portuguesa, no contexto do reordenação da política imperial às mudanças que ocorriam nas metrópoles colonialistas. Para fazer a expansão rumo ao interior, entretanto, os colonizadores tinham que enfrentar a feroz reação dos índios, razão pela qual a Carta Régia também declarava guerra aos Botocudos e ordenava iniciar “contra esses índios antropófagos – na verdade não existe nenhum registro de canibalismo praticado pelos Botocudos, mas convinha à Coroa pintá-los como seres desprovidos de alma, portanto, selvagens hereges...”.

À vontade para fazer a guerra como quisessem, militares a soldo da coroa. Bandeirantes e colonizadores não desperdiçaram munição e cometeram toda a sorte de atrocidades para exterminar os primeiros habitantes do Leste de Minas Gerais. ...”Estes índios eram os Aimorés, que em guerra com os Tapajós se refugiaram na densa mata atlântica, e foram se distanciando de tudo e de todos até perderem seu nome e se transformaram nos hostis Botocudos, uma grande nação indígena que se subdividia nas tribos dos Puris, Coroados, Macomis, Naknuk, etc., ocupando uma vasta região de matas, às margens dos rios Piracicaba ( rio sem peixe ou peixe pequeno) e Watu (rio largo ou doce), Doce". Mas os colonizadores não tiveram uma vitória fácil. A resistência indígena foi intensa e os brancos que não só perderam a vida na mata ou por impaludismo foram emboscados e mortos a flechadas pelos guerreiros Botocudos.

A guerra impiedosa dizimou quase por completo a nação indígena. As matas eram invadidas à procura dos índios e, ateava-se fogo ao mato para que ali morressem queimados. Foi sob essa barbárie que a região do Rio Doce começou a ser ocupada. Imigrantes recém-chegados e soldados recrutados sem nenhum critério destruíam as tribos indígenas e devastavam as florestas para se apossar das terras. As atrocidades eram tantas que o próprio Governador da Província se viu diante da necessidade de nomear o capitão de Cavalaria Tomas Guido Marliére como Inspetor Geral das Seis Divisões Militares do Rio Doce. Esse oficial francês havia chegado ao Brasil em 1808 e tinha adquirido grande experiência no trato com os índios Puris e Caipós na Zona da Mata”. Como a guerra cruel contra os Botocudos não se mostrasse eficaz para controlar os índios rebeldes, foi editado, em 1824, o Regulamento Interno para Aldeamento e Civilização dos Índios Botocudos no Rio Doce, na Província do Espirito Santo e na de Minas Gerais... Arredios ao contato com o homem branco, o índio continuava a resistir com sua cultura e suas armas.

Os conflitos se generalizavam em matanças e atrocidades, com as quais não concordava Guido Marliére. Ele alertava que o assassinato de índios atraía a vingança de muitos outros e provocava a desordem coletiva. Marliére defendia que o contato com os índios deveria ser feito com boa vontade e interesse humano e que sua mão-de-obra podia ser aproveitada... “Não tenho escravos, apenas uma fazenda em Guidowald, em que os índios me fazem grandes plantações anuais, pago-lhes o seu salário e comemos juntos...”. Guido Thomas Marliére nasceu em Jarnage – antiga província de Marchena na França, em 3 de dezembro de 1767 e faleceu na fazenda de Guidowald, em Minas Gerais, em junho de 1836. O civilizador Guido Marliére passava pelo atual Município de Marliére, antiga Babilônia, quando deparou-se com um horizonte de vales e serras, montanhas a perder de vista, um céu magnifico, água em abundância e , em êxtase, exclamou, em francês: Dieux, je crois! (Deus eu creio! que pronuncia-se “diê jacroá”).

Foi assim que acabou surgindo a Serra do Jacroá, tal e qual entenderam os gentios e nativos que integravam a comitiva. Jonathas Durço em “Pokrane – Da saga dos Botocudos ao Nascimento de um Arraial” diz: “os aldeamentos dos indígenas realizados por Guido Marliére e seus auxiliares foram o início da fundação de muitas cidades, conhecidas hoje como Cataguases, Ubá, Muriaé e muitas outras! A semente pacífica e iluminista plantada por Guido Marliére floresceu, talvez não da forma que deveria, mas abriu o caminho para o surgimento de quase todas as cidades desta parte do sertão mineiro, pouquíssimas são as cidades desta região e do rio Doce, que não tiveram sua origem na ação civilizadora exercida por Marliére, seja por uma ação direta ou indireta”.

A história do Município de Timóteo tem seu início no século XVII, quando faiscadores, atraídos pelas riquezas minerais do sertão, se instalaram na margem direita do rio Piracicaba. No dia 11 de setembro de 1831, chega à região o Alferes português Francisco de Paula e Silva, instalando-se no lugar conhecido como Ribeirão de Timóteo, segundo consta em carta de Sesmaria expedida a seu favor em 1832. Por este documento se vê que Timóteo já possuía nome em princípios do século XIX. Os antigos moradores, principais pioneiros, narram que Manoel Timóteo foi dono de uma vendinha localizada na mineração da Lavrinha, que a partir de 1832 se fixou às margens de um ribeirão. Manoel Timóteo muito contribuiu para que o topônimo Timóteo se tornasse o nome do lugar, pois os primeiros povoadores passaram a chamar o lugar de Timóteo ou São Sebastião do Alegre.

Manoel Timóteo


Manoel Timóteo, retrato falado segundo depoimentos de antigos moradores como Levir Calisto Fernandes, Luciano José da Silveira, Manoel Mariano de Abreu, Jorge Dias Duarte, Joaquim Ferreira de Souza, Sebastião Evangelista de Souza (Sebastião Cota) e outros. “O negro Manoel Timóteo era um comerciante nômade que se instalou as margens de um ribeirão onde vendia produtos aos viajantes que transitavam pelas terras dos descendentes de Francisco de Paula e Silva “Chico Santa Maria”, a partir de 1832”...

Com a chegada à região do Alferes Santa Maria, tem início a abertura de clareiras na mata, a construção da sede daquele que seria um imenso latifúndio, o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. A fazenda do Alegre, como se tornou conhecida, constituiu-se a partir de então, em importante ponto de apoio para as embarcações que subiam e desciam o Piracicaba em direção à Vila Rica ou Vitória. O Alferes Francisco de Paula e Silva foi casado com filha de tradicional família do Onça (hoje Jaguaraçú), por nome Teodora Umbelina da Cunha. Foram seus herdeiros e filhos do Capitão Francisco de Paula e Silva Júnior (Chico Santa Maria), Francisca Carolina, Joaquim de Paula e Silva, Maria de Paula e Silva, Maria Teodora Umbelina de Paula e Silva, José Luiz de Paula e Silva, Antônio de Paula e Silva e Emilia Rosa de Paula e Silva. Chico Santa Maria não se casou vivendo em concubinato com suas escravas, entre as quais, Rosa Esméria, Maria Africana, Maria José e Bárbara Maria. Sua enorme descendência herdou as terras da Sesmaria, terras estas que permanecem, ainda hoje e em parte, como legado da família e que, por outro lado, foram também vendidas a particulares como João Lino de Sá, Manoel Lino de Sá, João Malaquias Ferreira, Antônio Malaquias e Sebastião Malaquias Ferreira. Os Lino de Sá compraram terras em 1885 de José Luiz de Paula e Silva. Antônio Malaquias Ferreira, natural de Caratinga de Joanésia (Mesquita) instala-se na Baixada Grande (Horto Malaquias).

Fez a doação de seus bens à Igreja, criando assim o Patrimônio que teria patrono São Sebastião. Foi para o casamento da filha Maria Teodora e o batizado de Teodorico Malaquias (Birica), que o casal Saninha e João Malaquias construíram um galpão, coberto com folhas de palmito, para celebrar as núpcias e o batizado em 1907, cerimônia realizada pelo Padre Penido de Santo Antônio do Grama (atual Jaguaraçú), celebrando também as primeiras missas. Em 1913, o Sr. Manoel Mariano de Abreu, “Manoel Bentinho”, veio de Babilônia, hoje Marliéria, com a esposa, D. Tereza Altina de Jesus, e os três primeiros filhos: José, Maria Germana e Joaquim Zeferino de Abreu, “Joaquim Bento”. Nesse mesmo ano construiu sua residência, uma casa de alvenaria, com ampla varanda, onde foi inaugurado a primeira loja de tecidos, armarinhos, cachaça e remédios de São Sebastião do Alegre. Em 1913 “Manoel Bentinho”, Benjamim Vieira, José Cassiano e outros construíram a igrejinha de madeira e telha cumbuca no largo de terra plana (atual praça 29 de abril). Em 1918 várias famílias instalaram-se no povoado como as de José Moreira Bowen (José Adão). Também foi construída uma “casa de escola” por Manoel Bentinho, no terreno de São Sebastião, onde não se pagava para morar – quando foram surgindo barracos e assim teve início o povoado de São Sebastião do Alegre. Alegre porque aquelas terras faziam parte da Sesmaria do Alegre, pertencente a Francisco de Paula e Silva Santa Maria, antes de serem adquiridas pelos irmãos Malaquias. O povoado pertencia a São Domingos do Prata.

As principais famílias do lugar, a partir dos anos 30 eram o de Matheus Araújo, Oscar Martins Quintão, José Moreira Bowen, Manoel Mariano de Abreu, Joaquim Ferreira de Souza, Sebastião Malaquias, Tonico Lunga, Joaquim Paixão, Sebastião Evangelista de Souza, Luciano José da Silveira, Pedro Estevão, Antônio de Paiva, João Martins, Quintino Alves, América Sudária de Jesus, Modesto Rosa, Jorge Dias Duarte, Adelino Mendes, Otília Martins Fraga e muitas outras. Por força do Decreto-lei estadual n.º1058, de 31 de dezembro de 1940 o povoado de São Sebastião do Alegre, já conhecido como povoado de Timóteo, é elevado a Distrito, desmembrando-se de São Domingos do Prata e passando a pertencer a Antônio Dias, com o nome de Timóteo. A instalação do distrito ocorreu a 1º de janeiro de 1941, sendo empossado seu primeiro Juiz de Paz o Sr. Joaquim Ferreira de Souza que, a 24 de junho do mesmo ano, deu posse no cargo de Escrivão de Paz e Notas Interino o Sr. José Moreira de Castro (José de Pio).

Em setembro do mesmo ano, José de Pio nomeou o farmacêutico Raimundo Alves de Carvalho como sucessor de Joaquim Ferreira de Souza no cargo de Juiz de Paz. Em 31 de outubro de 1944, foi fundada a Cia. Aços Especiais Itabira (Acesita) pelos engenheiros Amyntas Jacques de Moraes, Percival Farquhar e Athos de Lemos Rache. A lei estadual n°336, de 27 de dezembro de 1948 desmembrou o distrito do município de Antônio Dias, incorporando-o a Coronel Fabriciano. E por força da Lei estadual n°2714, de 20 de dezembro de 1963, Timóteo foi elevado a município, ocorrendo sua instalação a 29 de abril de 1964, tendo sido nomeado intendente o Sr. Virico da Fonseca, que governou a cidade até a posse de seu primeiro prefeito, o Sr. José Antônio Araújo.

A comunidade prosperou em torno da Cia. Aços Especiais Itabira (Acesita) com uma formação antropológica diferenciada, onde permanece construindo suas vidas, “plantando seus grãos de sonhos”. É uma cultura forjada na luta sindical, colaboradora principal na construção do parque industrial da Cia. Aços Especiais Itabira (Acesita), pois centenas de famílias criaram sua própria identidade mesclada com a cultura tradicional e com a história do povo timotense. Entrelaçadas, unidas formam uma comunidade única alimentando um só coração. A cidade tem praças e jardins, marcos lendários, pontos místicos e religiosos. Um ar de cidade jovem que respira o suave perfume da história de seus precursores e que convida ao mais agradável dos passeios, considerada Capital do Inox e Portal de entrada para o Parque Florestal do Rio Doce.

O fato social marcante na história da cidade foi a participação de Timóteo no Concurso Miss Minas Gerais, com a representante Ana Maria Mattioli Leite, que se classificou em 2º lugar como Miss Interior. E no final da década de 60 e metade da década de 70, Pier Angeli Santiago Silveira, natural da terra, ganhou todos os concursos de beleza de Timóteo e Vale do Aço. Participando do Concurso Miss Minas Gerais 1972 ela classificou Timóteo entre as 4 finalistas, projetando Timoteo no cenário sócio-cultural, contribuindo com relevância para com a expansão dos horizontes da cidade no contexto político-sócio-cultural do Estado de Minas Gerais. *Texto e redação: Suely Itamar Santiago Silveira



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